Voltando a voar conta a história de Sérgio, piloto aposentado da Aeronáutica, que, preso numa cadeira de rodas, desenganado pelos médicos, viúvo e de relações cortadas com seu único filho, se vê obrigado a internar-se numa casa gerontológica, à espera da morte.
Lá ele conhece pessoas que irão mudar totalmente seu modo de ver a vida: Ivan, anarquista incorrigível, Érika, a graciosa senhora que faz seu coração barter mais forte outra vez, e Roberto, o misterioso enfermeiro que parece ter dons especiais.
Voltando a Voar não é apenas uma fábula emocionante, é uma verdadeira lição de vida. Os fãs de Andre Esteves serão agradavelmente surpreendidos por uma história que foge totalmente aos seus padrões, mas que, inegavelmente, cativa o leitor desde a primeira página.
* sinopse por Frodo Oliveira.
Editora: Multifoco
Nº de páginas: 115
— Está me dizendo que a pedra e a água são feitas da mesma coisa, é isso?
— É o que a ciência diz.
— Difícil de acreditar, levando em conta a diferença de efeito entre eu jogar a água ou a pedra em sua cabeça — ironizei. Roberto sorriu e relaxou um pouco os ombros. Me senti feliz por ter feito um ponto no que parecia ser uma sofisticada luta de esgrima entre nós. O prazer só não foi maior por causa da dor fina no peito toda vez que eu respirava.
— Tal descrença me surpreende sendo você um aviador. A palavra era como álcool sendo jogado em ferida aberta, então não fiz questão de corrigi-lo. Dei atenção à árvore a minha direita.
— Imagine se aterrissasse com seu tucano numa cidade medieval — prosseguiu ele, indiferente. — Quando tentasse explicar que aquela tonelada de metal era capaz de voar, o que o primeiro camponês ia dizer? “Difícil de acreditar”.
Pego no contragolpe e absolutamente desconfortável no tema, resolvi encerrar o duelo.
— E daí? Se os dois são feitos do mesmo elemento, o que faz da pedra “pedra” e da água “água”?
— Você — murmurou ele entre os dentes e jogou a pedra para mim. Por reflexo, tentei segurar. Entretanto, para meu espanto, o que tocou minha palma foi uma gota d’água que explodiu e se expandiu paras as profundas marcas de minha mão enrugada. Ele pegou e abriu minha outra mão, virando a folha sobre ela num gesto rápido e ao mesmo tempo infindável; o que era gota se transformou em uma pedra transparente, fria, que apertei com força para ter certeza que era real. Com a esperança de que não fosse.
Mas ela não se desfez.
Conceituado escritor de romances policiais, editor do site Esquina do Escritor e autor do sucesso O Mistério da 13ª Letra (editora Landscape) e do recém-lançado Assassinato na Vila Noêmia (editora Multifoco), Andre Esteves atua profissionalmente na área jurídica, dividindo seu tempo entre o tribunal e o teclado do computador.
contato: andre.esteves.andrade@gmail.com