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A tempestade com pernas
Mayra Lopes
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Não havia dúvidas de que era saudade. O sentimento da falta misturada a falta ainda mais doída daquele afeto de outrora. Falta do afeto? Não. O que lhe faltava, era aquela convivência e diálogo fácil, a sensação no fim do dia, após desligar o telefone de que tudo terminaria bem, de que não importava a gravidade da briga pois no máximo em dois dias, as coisas não voltavam a ser como antes. O que havia abalado aquele relacionamento (não só aquele como todos os relacionamentos de Catarina) era o excesso de certezas, sempre pela parte dela.
Passados alguns meses, alguns anos, quando as coisas lhe chegavam em retrospectiva de vida, começava a pensar que talvez fosse somente ela que deitasse toda noite suspirando aliviada, que talvez a outra parte andasse em desespero por haver esgotado todas as possibilidades de conseguir conviver neste nível de profundidade.
Tudo nela conduzia ao mergulho e o problema é que não se tratavam de águas rasas. Sedutoras, porém profundas e propensas à tempestade. Sentia-se o outro debater-se entre ondas com a esperança de uma calmaria perdida. Inevitavelmente, tudo terminava em naufrágio.
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M,
20/4/2010 01:37:55 |
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O interessante e' que talvez muitos podem perceber no seu texto apenas a simplicidade em si. E nao digo isso querendo desmerecer essa simplicidade. Mas e' que nesse miniconto, pra mim, ha mais que isso. Ha uma profundidade de melancolia infinita, o exito de ser simples e tao marcante. Gostei muito do seu texto, e desculpa qualquer besteira que tenha escrito (rsrsrs). Parabens! |
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João Molon,
17/3/2010 12:11:01 |
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Enquanto mais profundos formos, mais vamos nos conhecendo, aprendendo a lidar com aquilo que somos e não somos. Se em algum momento naufragamos nas incertezas, ou nas certezas, ainda podemos entrar em um submarino, sair do navio e penetrar nos mistérios que esperam para serem descobertos.
Quero ver mais de seus textos por aqui, bem profundos! |
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alexandre gazineo,
5/3/2010 10:02:08 |
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seu conto é uma descrição de um estado de alma, flagrado sob certo e particular ângulo. Quase um confessionário fictional, dispensa a ação dramática em prol de uma concentração auto-reflexiva. |
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Cortezolli,
15/1/2010 16:05:14 |
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Afogar-se é só reflexo do medo da entrega, por que não parar de se debater e mergulhar? Sem querer voltar, talvez bem no fundo haja algo de tanto valor que seja possível, respirar... |
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Valdeci Garcia,
8/1/2010 18:42:35 |
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Mayra, bom texto. Esperamos outros no site. Quanto ao mergulho no profundo, é mais emocionante, mas, às vezes; dá medo. Por seu turno, águas rasas deixam à mostra os nossos pés. Os nossos medos e desejos e defeitos ficam mais evidentes. Abraços. |
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