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Escritor
da vez |
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Luciana Rocha
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Estava eu em uma tarde enfadonha, de pé e com o cotovelo no balcão, apoiando com a mão a cabeça que balançava lutando contra o sono. Profissão: o rapaz da informação.
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Já estava só com ...
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dentes de urubus
Caritas Miguel |
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Rodopiando feito pião descendo morro abaixo, varrendo as ruas empoeiradas, o pó vermelho da terra, mistura ao vermelho do sangue que invadia da face. Fim do matrimônio que vinha arrastando-se entre tr...
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A morte perde o jogo
Em um enorme hospital da França a morte anda de cabeça baixa, ninguém tem mais respeito por ela. Uns acham ate bom quando ela chega, já foi o tempo que o homem tremia só de ouv...
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A tempestade com pernas
Não havia dúvidas de que era saudade. O sentimento da falta misturada a falta ainda mais doída daquele afeto de outrora. Falta do afeto? Não. O que lhe faltava, era aquela convivência e diálogo fácil, a sensação no fim do dia, após desligar o telefone de que tudo terminaria bem, de que não importava a gravidade da briga pois no máximo em dois dias, as coisas não voltavam a ser como antes. O que havia abalado aquele relacionamento (não só aquele como todos os relacionamentos de Catarina) era o excesso de certezas, sempre pela parte dela.
Passados alguns meses, alguns anos, quando as coisas lhe chegavam em retrospectiva de vida, começava a pensar que talvez fosse somente ela que deitasse toda noite suspirando aliviada, que talvez a outra parte andasse em desespero por haver esgotado todas as possibilidades de conseguir conviver neste nível de profundidade.
Tudo nela conduzia ao mergulho e o problema é que não se tratavam de águas rasas. Sedutoras, porém profundas e propensas à tempestade. Sentia-se o outro debater-se entre ondas com a esperança de uma calmaria perdida. Inevitavelmente, tudo terminava em naufrágio.
Mayra Lopes |
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Movimento da paralisia
Ele não voltava. Pensou em pôr uma blusa e ir até o corredor. Abriu a mala que estava no canto do quarto. Vestiu-se qualquer. Prendeu os cabelos e olhou para o telefone que jazia em um pequeno sofá. Fitou a porta. Fitou novamente o telefone. Estava descalça e procurou chinelos com os pés. A porta estava fechada e o telefone tinha linha. Por conveniência, decidiu antes de sair, tentar uma ligação.
Discou número de cor. Enquanto chamava do outro lado e ninguém atendia, ela lançou-se sobre o vestido, afundando com o roçar dos ouvidos.
Alguém, do outro lado, atendeu. Ela, com uma voz desamparada, murmurou:
- Ele não pode me deixar sozinha, você prometeu.
E a ligação desfez-se. Ela não esperou resposta, tampouco investiu em mais fala. Sabia que era assim, de rapidez. E dava-se por satisfeita por realizar o contato.
Largou o aparelho sobre um travesseiro e se encolheu sob o vestido. Usou-o como lençol. Devia ir atrás dele, mas ele falou que seria rápido. A culpa, afinal, era mesmo dela, que mandou que ele fosse atrás de um espelho. Cobriu-se de branco estridente. Sentiu sono e adormeceu despida.
Bruna Maria |
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