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Histórias da Noite - TerrorFantasia e Aventura.com - ação, fantasia e ficção científica.Pela Lente do PoetaA Vida é arte
 


Uma carona para a morte.

Afoborio

 
 

“Um café e um conhaque.” Foi esse o pedido que o jovem alto, bonito e esguio fez quando se sentou ao lado da bela garota no balcão do bar. Ela o olhou e permaneceu bebendo a sua cerveja. Delicado, o moço tomou um maço de cigarros e acendeu um com muita elegância. O cheiro do tabaco chamou a atenção dela, que não fumava há mais de duas horas. “Oi, meu nome é Lora, você me empresta um cigarro? Beber cerveja sem fumar é um saco.” Risos. O papo deslanchou e os dois pegaram a estrada juntos.

A moça dirigia o seu mustang 59 de um jeito louco, falava bastante e sentia-se íntima do carona, que tentava encontrar uma estação de rádio para ouvir um bom e velho rock. “Não esquenta com o som. Estamos no meio do nada, aqui é um lugar esquecido por Deus e pelos locutores de rádio também.” Risos. De repente a menina freou de um jeito brusco. “O que houve?” “Não sei, acho que preciso vomitar.” Risos mais uma vez. Ela ficou de joelhos bem ao lado da roda e colocou uma boa quantidade de bebida e batata frita para fora de seu estômago.

“Olha só os seus cabelos. Que nojo.” “Seu grosso. Pegue aquele litro com água aí no banco de trás, preciso me lavar um pouco.” “Tudo bem, não fique zangada.” Completamente fora de si, ela tirou seu casaco e sua blusa e passou a lavar seus cabelos. Enquanto isso, o carona olhava para os seios dela. “O que foi?” “Nada, é que eu ainda não tinha reparado neles.” Em poucos minutos os dois transavam sobre a lataria que cobria o motor do carro e arrancavam buzinadas dos caminhoneiros que passavam pela estrada e aproveitavam para tirar uma onda.

Assim que a exaustão chegou, os dois deitaram e fumaram um cigarro, como se estivessem dentro de um quarto de motel. A poeira da estrada grudava e o sol quente fazia com que alguns fios de barro se formassem e escorressem pelo corpo do casal pelado. “Nossa, você é quente, Lora.” “Sou como o motor do meu carro.” Risos ainda mais eufóricos. “Espere aí, quero mostrar uma coisa.” “Certo. Não demora.” “Olha isso, é LSD. Você quer?” “Claro, me vê um aí.”

A garota ficou ainda mais louca. Dizia que via elefantes caminhando nas costas de uma longa serpente. E falava que a estrada era um imenso cadarço por onde a peçonhenta rastejava e arrastava os trombudos com ela. Foi quando o carona percebeu que era o momento certo. Daí para frente, Lora não teve como se defender, ela recebeu um punhado de sopapos, oito facadas em seu abdômen e caiu morta no asfalto candente. O algoz lambeu o sangue que cobria a lâmina, depois sorriu e seguiu a pé, em busca de uma nova e tentadora carona.
 
 

  Valdison Silverio Barbosa, 18/2/2010 21:33:24
 
Otimo texto...
 

  Cisticerco, 9/2/2010 17:19:42
 
Grande Afobório
 

  Andre Esteves, 9/2/2010 10:52:47
 
O inconfundível estilo do Afobório. Pensei, por quase todo o conto, que não seria policial - mas aí vieram as quatro últimas linhas...
 

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