| |
A morte é horizontal!
Fabio Zen
|
|
| |
|
|
Era incrível que não estivesse sentindo dor. A questão era ser ou não bom ainda estar consciente. Um calor úmido espalhava-se pelas costas. Era o próprio sangue.
A certeza que morreria se não fosse logo socorrido, para sua surpresa não o desesperava. Estava em uma espécie de limbo, pois os fatos em sua volta pareciam passar em um aparelho de tevê em slow-motion e ele fosse um mero expectador. Mantinha os olhos abertos involuntáriamente e não controlava mais nenhuma função motora. Havia tombado ao lado da cama.
Os agressores continuavam na casa, ruídos e conversa vinham do corredor. Algo tinha contecido a sua audição pois as palavras pareciam vir do fundo de uma caverna.
Eles pensavam que haviam-no matado. O atirador chegou a se aproximar, chutando e mexendo em seu corpo, sendo levado a ter certeza da morte também pelo sangue jorrado em grande profusão.
Chegou a se indagar se realmente não estava morto. Como poderia estar assistindo toda aquela movimentação estando com aquele pavoroso ferimento na cabeça? Conseguia distinguir a pouca distância um pedaço do seu crânio, com o couro cabeludo ainda preso. A imagem de uma enorme aranha caranguejeira lhe veio à mente.
Foi arrancado daquela espécie de delírio quando lembrou que estava na hora da esposa chegar do trabalho com o filho. Um horror primitivo invadiu seu corpo e níveis elevados de adrenalina contrastavam com a imobilidade de seu corpo. Parecia que havia engolido uma enorme pedra de gelo.
Também matariam sua família? Provavelmente sim se fossem descobertos. Tentou imaginar alguma saída, alguma atitude que pudesse alertá-la do perigo letal que lhe esperava na casa.Não era possível. O corpo o abandonara.
Havia caído de bruços e sua cabeça ficara em uma posição alinhada ao piso frio. Dali conseguia enxergar os pés dos assassinos por baixo da cama.
Ouviu ao longe o barulho do motor do carro chegando e estacionando. Batida da porta e acionamento do alarme. "Não subam meus amores, não subam!". Ouviu o tlac tlac do salto da mulher no andar abaixo. Talvez achasse algo para fazer ou fosse até a geladeira e pegasse algo para comer e nesse interím de tempo um milagre acontecesse e alguém ou algum vizinho batesse à porta para pedir algo assustasse os bandidos e eles fugissem pela janela. O barulho cessou.
"Deus, não os deixe subir!". Os pés com os tênis brancos sumiram do seu campo de visão e o outro com os sapatos sujos com padaços de grama apenas retrocedeu em direção à porta.
Algo aconteceu na parte inferior do sobrado. Chegara a imaginar que haviam cortado os fios do telefone, mas ouviu a chamada e a voz da esposa atendendo, mas não entendeu o que falava.
A conversa parou. Silêncio. Novamente os passos, agora subindo as escadas. "Por favor amor,pare!". Agora não enxergava mais os pés com sapato preto. O sapato vermelho da mulher apareceu entrando no cômodo. Parou e seguiu em direção à janela. Sentiu alguém virando sua cabeça. A esposa o olhava nos olhos e disse...
-Belo trabalho, rapazes. Vocês trouxeram a serra e o plástico para desmembrar o corpo? |
|
| |
|
|
|
| |
João Molon,
8/4/2010 11:58:26 |
| |
Final surpreendente! |
|
|
| |
Cláudio Quirino,
23/9/2009 14:35:20 |
| |
Nossa! Surpreendente esse final. Digamos que bem ao meu estilo, do jeito que eu gosto e aprecio. Parabéns pelo talento e seja muito bem-vindo, amigo bequista! Grande abraço. |
|
|
| |
raquel ribeiro,
23/9/2009 12:24:59 |
| |
um conto curto, cheio de suspense e final surpreendente .tem tudo o que se espera de um conto do genero. parabens! |
|
|
| |
Zé ,
20/9/2009 16:37:15 |
| |
Muito bom o conto! Final surpreendente!! |
|
|
| |
Roberto Kusiak,
20/9/2009 16:14:50 |
| |
Um serial killer está nascendo. |
|
|
|
|
Páginas:
[
1
]
[
2
]
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|