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Raymond Chandler
Andre Esteves
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Nenhuma coleção dos grandes escritores de romances policiais estaria completa sem o genitor do romance noir – policiais corruptos, mulheres ardilosas e ambientes esfumaçados, em meio a grande depressão americana causada pela quebra da bolsa em 1929. Raymond Chandler, criador e mestre do gênero, viveu ele mesmo essa época, e soube como ninguém passar para o papel as contradições do período.
Chandler nasceu em Chicago, EUA, em 1888, mas passou sua infância e adolescência na Inglaterra, devido ao divórcio dos pais. Serviu durante a primeira guerra mundial no exército canadense e na Força Aérea, combatendo na França. Com o fim do conflito voltou aos Estados Unidos, onde trabalhou como bancário e depois como contador. Nesse período, escrevia esporadicamente para um jornal.
Em 1924 casou com Cissy Pascal, uma pianista dezoito anos mais velha. Chegou a ocupar a vice-presidência de uma grande petrolífera, mas devido ao alcoolismo – condição mais que comum na época – acabou perdendo o emprego, após diversas ausências e situações constrangedoras.
A grande depressão ocasionada pela quebra da bolsa tolheu sua carreira como homem de negócios. Começou assim seu caminho como escritor, com colaborações eventuais para a revista Black Mask, especializada em ficção policial “linha dura”. Não era um escritor rápido. Conta-se que levou 5 meses para escrever seu primeiro conto, que foi publicado na Black Mask em 1933. Até 1939, foram 19 contos.
Nesse mesmo ano ganha luz o personagem mais célebre de Chandler, o detetive Philip Marlowe, no livro The Big Sleep. Como não podia ser diferente, num bom noir, Philip bebe demais e não se escusa de utilizar de violência quando necessário, além de estar sempre as voltas com mulheres tão lindas quanto venenosas. Apesar disso, o detetive, possui uma moral particular e luta para não ser contaminado pela sujeira tanto da escória como da alta sociedade – se é que há separação, nesse ponto de vista, entre estas classes - de Los Angeles, cidade onde trabalha. Os pontos altos dos seus livros são justamente as atitudes e pensamentos de Marlowe diante da podridão a sua volta. Além de arguto observador, sendo suas histórias repletas de tiradas irônicas bem idealizadas, o detetive é um admirador de poesia e um amante do xadrez.
Chandler possuía 51 anos quando foi lançado o primeiro livro de Marlowe. Nos 20 anos posteriores vieram mais seis livros com o detetive: Farewell, My Lovely (1940), The High Window (1942), The Lady in the Lake (1943), The Little Sister (1949), The Long Goodbye (1953) e Playback (1958).
Os sete livros com Marlowe foram adaptados para o cinema. O próprio Chandler também escreveu roteiros, como o do filme “A Dália Azul” (lançado no Brasil também em quadrinhos). Foi, inclusive, co-autor de um dos maiores clássicos do cinema mundial, Strangers on a Train, de Alfred Hitchocock.
Em 1954, sua esposa, Cissy, faleceu, infligindo um duro golpe em Chandler. Acometido de uma doença nervosa, o escritor volta a encontrar refúgio na bebida, e tenta suicídio em 1955. Em 1959, já bem debilitado, pediu em noivado Helga Greene, no próprio leito do hospital. O casamento, no entanto, não chegou a se realizar, pois o escritor faleceu de pneumonia, no mesmo ano.
Em 1989 foi lançado o romance Poodle Springs, iniciado e não terminado por Chandler em 1959. A honra de terminar o romance coube ao escritor Robert. B. Parker, um assumido fã do mestre do noir.
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