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Apague a luz.
Afoborio
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Olhei para a vela em cima do pires. Parecia que trocava olhares comigo de um jeito gélido. A tempestade durava quinze dias ininterruptos e de feição forte. As persianas já mofavam de tanta água. Era frio, nem parecia verão. O minuano castiga, quando tem chuva fria e impetuosa com ele, corta. Já sentiu?
A luz que foi embora me abandonou assim como o celeste fez um tempo atrás. Minhas mãos tremiam enquanto fumava. Meu conhaque reluzia no copo. Minha cabeça vazia me deixava propenso ao nada. Alguma coisa acordava dentro de meu coração. Arrepiei-me quando ouvi, “venha comigo, matador”.
Silêncio.
Fui tomado por uma dor em minha cabeça. Agachei o corpo. Doía muito. Segurei-me na estante de livros. Desnorteado, derrubei-a. Esparramei estórias de sangue por todo o lugar. O punhal caiu aos meus pés. Sua lâmina brilhou no escuro. Chamava-me. Podia ouvir. Conseguia sentir.
Peguei o punhal. Andei até o portão e ganhei a rua. A luz dos postes fazia uma combinação que me agradava. Babava enquanto andava. Meus pulmões expulsavam vapor de locomotiva. Meu coturno 43 socava o chão. Minhas mãos desejavam um corpo, qualquer um.
Na primeira esquina, um casal de namorados tentava escapar da chuva. Ocupavam a marquise de um prédio feio. Sem nada dizer e muito menos sem hesitar, saquei a faca. Atingi a garota atrás do pescoço, logo abaixo da nuca. Morreu. Recuperei o movimento do braço e cravei na face do moleque. O idiota tentou me enfrentar. No segundo golpe atingi seu estômago e torci. Seus olhos grilaram. Foi quando mordi sua face. Morreu me olhando mastigar sua carne.
Corri pelas ruas. Esfaqueava qualquer um que encontrasse. Passei cinqüenta dias matando sem parar. Quando a chuva passou, estava vestido de sangue. Lambi a lâmina suja. Gostei. Subi meus olhos, vi uma menina que saía de um mercado ao lado de sua mãe. Corri atrás delas. Degolei a menina e cortei seus pulsos. Esfaqueei muito sua mãe e cortei seus pés. O prazer que senti me fazia apertar a mandíbula até ouvir o ranger de minhas presas.
Fui para a rodoviária da cidade e fugi. Agora, ando por aí, espreitando qualquer um. Por isso, tenha medo, estou perto. Sou um matador sedento. Sinto sua respiração. Ontem te acompanhei entrando em casa. É divertido de olhar para sua janela e encontrar a luz acesa. Você não sabe nada de mim, e eu sei tudo sobre você. Só te peço uma coisa, “apague a luz”. |
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beto canales,
25/9/2009 11:24:15 |
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ótimo |
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raquel ribeiro,
23/9/2009 21:30:53 |
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forte,violento...mas,odeio dormir com a luz acesa então,já apaguei. um abraço! |
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Jana Lauxen,
23/9/2009 20:04:29 |
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Depois desse conto, não apago a luz nunca mais.
Do caralhíssimo.
Aquele abraço. |
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